segunda-feira, julho 15, 2024
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Overtown, o bairro histórico de Miami e seu renascimento.

Quando se trata da história de Miami, há alguns nomes de pioneiros que podem ser familiares graças aos pontos de referência que levam seus nomes, como a Collins Avenue, Fisher Island, Lummus Park e a Ponte Julia Tuttle. Outro nome conhecido é Henry Flagler, da Henry Flagler Railroad. Um magnata do petróleo e das ferrovias, a visão e as finanças de Flagler foram responsáveis por estradas e passagens de South Florida, a estrada de ferro que ligava Florida Keys à área continental de Miami e aos primeiros resorts reluzentes da cidade. A comunidade de Overtown foi estabelecida na virada do século 20, a noroeste do centro de Downtown Miami, e isso antecede a incorporação da cidade em 1896. Isso ocorreu porque Overtown era a comunidade instituída por Flagler que abrigava os operários negros que trabalhavam em seus projetos.
A comunidade outrora próspera teve sua cota de altos e baixos. Inicialmente, ela era conhecida como Cidade Colorida por causa da diáspora africana proveniente da América do Sul, Bahamas, Cuba, Haiti, Jamaica, Trinidad e Tobago e Barbados, que lá se estabeleceram para formar uma comunidade e encontrar trabalho. O elo cultural era semelhante ao do Renascimento de Harlem. “Nas décadas de 1920 e 1930, a região foi apelidada de “Little Broadway” graças ao entretenimento de primeira classe no Lyric Theatre, Knight Beat e outros clubes com shows de Count Basie, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, Billie Holiday e Josephine Baker agraciando o palco.
Na verdade, quando esses artistas faziam shows nas casas noturnas de Miami Beach, eles se hospedavam em Overtown devido às leis de segregação praticadas nos hotéis. Em Overtown, o Mary Elizabeth Hotel, de propriedade do médico W.B. Sawyer, era o lugar da moda para se hospedar. Ao longo dos anos, ilustres afro-americanos como o intelectual W.E.B. Dubois, a escritora Zora Neale Hurston e Thurgood Marshall, do Supremo Tribunal de Justiça, ficaram hospedados lá. O Sir John Hotel foi outro ponto de encontro com uma casa noturna e uma piscina que desbancava qualquer outro de Miami Beach. Grandes nomes como Nat King Cole e Lena Horne ficaram hospedados e fizeram shows lá. Celebridades do esporte, como os boxeadores Muhammad Ali e Joe Louis e o jogador de beisebol Jackie Robinson também visitaram esse bairro badalado.
Na década de 1960, as coisas mudaram drasticamente com a construção de duas grandes rodovias que passavam pelo centro da cidade. Essa construção e reforma urbana levou à demolição de mais de 20 mil casas na comunidade. Juntamente com a reação à legislação dos direitos civis, nos anos seguintes, Overtown tornou-se um lugar sombrio e perigoso para viver e visitar. A ruptura geográfica da comunidade resultou em uma população residencial que diminuiu de 50 mil para menos de 10 mil ao longo das décadas. Assombrada por confrontos raciais, problemas de drogas e pobreza, Overtown vem há muito tempo se preparando para o renascimento. Grande parte do progresso se deve ao trabalho da Black Archives History & Research Foundation.
Na última década, Miami conquistou a reputação de cidade de estreia da arte. A cidade é palco do Art Basel Miami Beach há mais de dez anos, gerando dezenas de feiras de arte satélite. O Wynwood Arts District (Bairro das Artes de Wynwood) tem mais de 70 galerias. O Miami Art Museum reabrirá em um espaço de última geração como Pérez Art Museum, com vista para a Baía Biscayne em um trecho de área verde que se chamará Museu Park. Embora seja difícil encontrar uma parede em Wynwood que não esteja coberta de arte de mural e grafite, há um artista local das ruas de Miami que surgiu antes de tudo isso.
Purvis Young nasceu em Miami’s Liberty City em 1943. Ele nunca cursou o ensino médio e, quando adolescente na década de 1960, ele passou três anos na Penitenciária Estadual Raiford, em North Florida, por acusações de arrombamento. Foi na prisão que Young começou a desenhar e ler livros de arte. Como pintor autodidata, ele se viu em Overtown, bairro historicamente negro de Miami em 1971, pintando o que observava, influenciado pela arte de mural de Chicago e Detroit.
Embora seu trabalho seja muitas vezes classificado como arte popular, seu estilo de misturar cores incomuns e sua falta de paisagem ressoam com mais profundidade no mundo da arte abstrata contemporânea. Seus temas são geralmente afro-americanos representados como anjos acorrentados ou desabrigados, mulheres grávidas, cavalos selvagens, cenas de agitação social, funerais, linchamentos e outras observações sobre a vida no gueto, que são cruas e esperançosas ao mesmo tempo.
O estilo é resquício de Marc Chagall, cujo trabalho também não tem a âncora da paisagem e retrata pessoas, animais e símbolos em uma tela flutuante fantástica. Young citou as obras de Rembrandt, Van Gogh, Gauguin, El Greco e Picasso como influências. Sua obra e importância foi comparado aos contemporâneos Jasper Johns e Robert Rauschenberg, mas ele nunca ganhou o reconhecimento desses artistas devido ao seu quase anonimato em Overtown.
Ele trabalhava com materiais encontrados na rua, como pedaços de madeira e papelão, e reaproveitava livros e revistas descartados colando desenhos dentro deles. Ele finalmente começou a pregar seu trabalho em vitrines de painéis em Goodbread Alley, onde morava e trabalhava. A instalação chamou a atenção de turistas e de colecionadores de arte influentes, como Bernard Davis, proprietário do Miami Art Museum, que se tornou colecionador e forneceu a ele materiais de arte até sua morte em 1973.
Embora a arte de rua possa ser mercurial por natureza — às vezes, ela é desmontada, destruída ou vandalizada — ainda há murais de Purvis Young em Miami para visitar hoje em dia. O mais visível serve como boas-vindas à histórica Overtown no muro do viaduto da NW 11th Street com a NW 3rd Avenue, pintado em 2010. Nesse trecho do bairro, as faixas de pedestres também são pintadas em um arco-íris de cores que levam você outro mural de Young. Ele foi pintado em 1984 e está situado no muro do pequeno edifício que abriga a filial da Biblioteca Pública de Culmer/Overtown na NW 13th , perto do Gibson Park. A estação Northside Metrorail, que fica ao norte de Overtown, é o lar de um mural de Young, de 1986, que lembra a arte pública de outro artista afro-americano popular, Romare Bearden, dentro de estação de metrô Westchester Square de Nova York, no Bronx.
Além dessas obras públicas, a arte de Young pode ser encontrada em instituições como o Smithsonian American Art Museum, em Washington, D.C., o High Museum of Art, em Atlanta, e o American Folk Art Museum, em Nova York. Em 1999, notáveis colecionadores de arte de Miami, a família Rubell, adquiriu a totalidade da coleção de Young — quase 3.000 peças. Outros colecionadores famosos incluem Jane Fonda, Damon Wayans, Jim Belushi e Dan Aykroyd. Hoje, localmente, o trabalho dele pode ser visto no Purvis Young Museum, em Fort Lauderdale, bem como na Purvis Young Gallery, no coração de Wynwood, na NW 23rd Street. Esse foi o local do último estúdio de Young em Miami, de 2008 até sua morte em 20 de abril de 2010, decorrente de complicações relacionadas ao diabetes, aos 67 anos de idade.

OVERTOWN FOLKLIFE VILLAGE
A vila foi concebida pela Black Archives como um trecho de quarteirões propício para pedestres, repleto de lojas, restaurantes e passeios. Explore a arte de mural de Purvis Young na Biblioteca Pública de Culmer/Overtown, perto do belo paisagístico Gibson Park. As faixas de pedestres são pintadas em desenhos coloridos também, e há uma horta comunitária nas proximidades.
No Jackson’s Soul Food você pode saborear uma refeição imperdível que combina os sabores da América do Sul e do Caribe nesse lendário restaurante. Outros pontos clássicos para comer são o People’s Bar-B-Que, Jerry & Joe’s Pizza e a Moore’s Grocery & Bakery.
Para fazer compras, visite a Moselle’s Boutique, a Remix Apparel e uma variedade de salões de beleza para viver uma experiência autêntica. Outros locais históricos, além da Ward Rooming House e do Lyric Theater, incluem a Historic Mount Zion Baptist Church, a St. John Baptist Church e o Black Police Precinct & Courthouse Museum.

O Lyric Theater abriu suas portas novamente durante o Mês da História Negra, em fevereiro de 2014, reivindicando o título de teatro mais antigo de Miami. O teatro recém-ampliado inclui mais uma ala, um loft móvel e docas de carga, um estúdio e um espaço para reuniões, uma loja temática, um espaço para exposições, cozinha gourmet e uma expansão dos escritórios administrativos. Renomeado como The Black Archives Lyric Theater Welcome Center Complex, o objetivo é criar um centro de encontro social efervecente.
O Lyric é motivo de orgulho para a comunidade negra de Miami e continuará celebrando a história e cultura da comunidade de Overtown por muito tempo ainda.

Fonte: miami and beaches

 

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