segunda-feira, julho 15, 2024
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Adolescente brasileiro é detido ao desembarcar nos EUA

 
O fluminense Renato Fraga, 42, não imaginou que acordaria neste domingo (13), Dia dos Pais, com uma única preocupação: tirar seu filho Vitor, 15, de um abrigo para adolescentes refugiados em Chicago, nos Estados Unidos. Ele foi de detido pela Imigração americana no aeroporto de Houston no último dia 9, sob suspeita de imigração ilegal. O caso de Vitor, de Niterói (RJ), é semelhante aos de outros adolescentes brasileiros que ficam detidos ao viajar desacompanhados dos pais e são levados ao abrigo, onde ficam dias e até meses antes de serem liberados pelas autoridades norte-americanas.
 
Vitor viajava com a avó, carregava uma autorização dos pais para viajar desacompanhado e tinha visto de turismo nos Estados Unidos. Segundo a imigração americana, em explicação levada aos pais, ele foi detido porque estava matriculado em uma escola pública dos Estados Unidos com visto de turista.
 
“Todo mundo está preocupado. É Dia dos Pais, e ninguém na família dorme desde quarta-feira”, lamenta Fraga. “Entendo as razões da imigração, mas o que importa é que já estou aqui [nos Estados Unidos] para levá-lo, com as passagens compradas e tudo. Mesmo assim, não escutam ninguém”, reclama.
 
Eles foram levados a uma sala da imigração no início da manhã de quarta, e horas depois Renato foi avisado no Brasil. “Me falaram que eu tinha que estar lá no mesmo dia, mas era impossível porque não havia voo. Comprei a primeira passagem e embarquei para Houston à noite. Mas nesse meio tempo eles separaram o Vitor da avó e liberaram ela. Desembarquei em Houston às 5h e às 5h15 ele embarcou para Chicago. Se eu tivesse conseguido chegar antes, a gente teria voltado.” Renato seguiu para Chicago, onde procurou a imigração imediatamente. “Perguntei onde meu filho estava e o atendente simplesmente respondeu: ‘não falo com passageiro’. Eu disse que era um pai procurando o filho detido, mas o atendente falou que, ainda assim, eu era um passageiro. Virou as costas, e eu me senti um zé-ninguém ali.
 
” O contato do pai com a imigração passou a ser feito pelo consulado brasileiro em Chicago –que, por que, por sua vez, entrou em contato com uma ONG que cuida dos adolescentes no abrigo. Essa ONG, chamada Heartland Alliance, destinada ao combate do tráfico infantil, é quem faz a intermediação entre consulado e imigração americana.
 
Foi em um escritório da ONG que Renato conseguiu encontrar o filho, na sexta-feira, conversando com Vitor por uma hora. Um representante da agência, “super-educado, sem armas nem nada”, segundo o pai, levou o adolescente para o encontro, acompanhou a conversa e depois o levou de volta para o abrigo. “Eu e o Vitor não podíamos nem nos tocar”, relata
 
“Ele está super-assustado, apesar de estar sendo bem tratado”, resume Renato. “Ele ficou muito feliz de ver que estou lá fazendo de tudo para levá-lo. Vitor é um adolescente forte, mas está psicologicamente confuso, chora muito. Afinal, está preso.”
 
De acordo com o pai, Vitor ocupa um quarto com três adolescentes refugiados do Senegal. “As pessoas que estão no abrigo têm problemas familiares muito maiores. São pessoas sem família, sem ninguém ali, com pai s presos ou ilegais nos Estados Unidos. Ele é o único caso de alguém que tem passaporte, visto de turista, com alguém para buscá-lo.
 
Segundo as regras do local, a rotina do adolescente se limita a acordar, arrumar o quarto, tomar o café da manhã e assistir a aulas no abrigo –“o pessoal chama ele de nerd, porque ele sabe tudo, equação de segundo grau, essas coisas, conta Renato. De tarde, “ele fica meio sem ter o que fazer, sem atividade”.
 
“O único livro que ele tem para ler é a Bíblia”, diz. Vitor toma um banho por dia e usa roupas do próprio abrigo”.
 
“Quero só uma deportação”
Renato conta que teve todo o apoio possível do consulado brasileiro em Chicago e também da companhia aérea, que avisou a Imigração americana que ele estava a caminho dos Estados Unidos para buscar o filho.
 
“A Imigração sabia o tempo todo que eu estava indo para lá. A companhia aérea, a United Airlines, avisou eles que eu tinha embarcado, mas ignoraram essa informação.”.
 
Agora, segundo ele, o que resta é esperar. “Não tenho dúvidas de que o caso será resolvido, mas o duro é essa espera. Não tem expectativa ou informação. Estou em um hotel em Chicago sem saber até quando vou ficar”, diz.
 
“Quando o o caso chegar na mão da pessoa certa para analisar, o Vitor vai acabar sendo deportado voluntariamente, mas o duro é que o caso é tratado como outro qualquer, então não sabemos quanto tempo vai demorar. Tem criança que fica quatro, cinco meses, e o caso dele é tratado como outro comum. Ignoram a situação dele, que há um parente aqui, que ele estava com a avó. O governo americano acha que ele está bem e pode ficar lá no abrigo. Mas eu acho que ele está sequestrado.”
 
“Trabalho com comércio exterior e compreendo os problemas que os Estados Unidos têm com essa questão. Acho até que eles estão certos. Mas a gente fica de mãos atadas, porque a Imigração ignora o que a gente fala. É um caso simples de ser resolvido. Quero só uma deportação voluntária para o Brasil e a vida dele segue normal”, conclui.
 
Itamaraty diz acompanhar o caso
O Itamaraty afirmou que está acompanhando o caso do Vitor e que o Consulado do Brasil em Chicago já está em contato tanto com a família quanto com a direção do abrigo. Segundo o Itamaraty, o caso está sendo tratado como prioridade e que a liberação do rapaz, para retorno ao Brasil, depende de uma decisão final do ICE (órgão responsável pelo controle de imigração e alfândega dos EUA).
 
Fonte: Marcelo Freire / UOL notícias
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